
Nós estamos no alto de um prédio de São Francisco agora, num quarto de hotel. Parece ser o lugar do qual vocês jogariam umas coisas pela janela num passado mais louco de vocês.
Mike: “Tipo, hoje de manhã? (risos) Sim, oficialmente, nós fomos mais jovens hoje de manhã.”
Na última vez que falaram comigo, o disco American Idiot estava sendo lançado. Vocês estavam dizendo: 'Uau! A gente fez uma coisa bem diferente. Não sei como as pessoas vão reagir ao disco.' E parece que deu tudo certo, né?
Billie: “As coisas foram boas, deu tudo certo. Em cada disco, nós temos que arriscar. As pessoas acham que você pirou ou acham que você está bem e está falando coisas insanas (risos). A idéia de fazer canções de sete, oito minutos era meio assustadora, mas acho que deu tudo certo.”
Vocês passaram muito tempo escutando o CD 21st Century Breakdown para ter a certeza de que iriam conseguir conviver com essas músicas? Parece que vocês o terminaram muito recentemente.
Billie: “Na verdade, eu sentei ontem à noite e o escutei muito. Achei muito fofo. (risos)”
Vocês sabiam desde o começo de que gostariam de fazer um disco grande, com reflexão do tempo e da cultura atuais ou havia outras coisas que tinham experimentado antes desse tema?
Mike: “Não havia nenhuma grande ideia para começar. Apenas soubemos como ser pacientes e que as canções logo começariam a falar umas com as outras. Pelos menos duas canções para mim se destacaram. Know Your Enemy é um título forte e ao mesmo tempo uma paulada. E a faixa-título abriu caminhos. Foram elas que criaram um cenário para o álbum todo.”
Tré: “As coisas progrediram a partir daí.”
Billie: “Também tinha outras coisas que tínhamos planejado para o Foxboro Hot Tubs (projeto paralelo da banda) para nos distrair ou fazer uma outra coisa. Na verdade, depois de fazer alguns dos shows, eu disse: 'É, a gente poderia fazer isso pelo resto de nossas vidas.' (risos)”
Parece estranho para mim, mas vocês deram um tempo de fazer um disco para fazer um outro disco.
Tré: “É, pode chamar isso de estúpido ou de estranho. A gente só queria se divertir e mandar ver.”
O que nos pode contar sobre a canção 21 Guns?
Billie: “Às vezes parece como uma rendição a alguma coisa, como os seus demônios ou razões políticas às quais você pode se render. Pode significar desistir ou alguma coisa do tipo ou tentar encontrar um momento de humanidade. É sobre isso 21 Guns.”
A faixa Before the Lobotomyfala um pouco de auto-destruição...
Billie: “Sim, ela fala da fina linha que separa o que é estar se auto-destruindo e estar se divertindo pra caramba. Tem um verso que fala 'I got so high I can't stand up' (Estou tão doido que mal consigo ficar de pé). Tem um arranjo diferente. Começa devagar depois se torna uma canção completamente diferente.”
A música 21st Century Breakdown (Colapso nervoso do século 21) é o ponto de partida do disco, como falamos antes. Vocês tiveram essa ideia. É uma frase que diz muito. É uma frase ambiciosa que o diz o que vai rolar no disco?
Billie: “Acho que sim. Primeiro eu escrevi a canção, que estava numa demo de 4 faixas. Depois nós notamos esse tema que estava no ar. Então começamos a pensar porque lendo a letra, tudo estava tão contemporâneo, dizendo o que aconteceu nos últimos cinco ou dez anos. Então, 21st Century Breakdown parecia possuir a definição do que o disco se tratava.”
Acho que o American Idiot é um disco o qual as pessoas têm uma reação a ele. Ele realmente representa o espírito daquele momento específico. Acho que era isso o que vocês tinham como objetivo nessa canção também?
Billie: “Não sei se era isso o que estávamos buscando, mas nós queríamos que as pessoas a relacionassem com o que elas estão fazendo. Você quer estabelecer uma relação com o ouvinte, as pessoas que comprarem o disco, os fãs, a família, o pessoal do contra. O álbum Dookie foi assim também. Não era um trabalho político ou algo do tipo mas, naquele momento... Ah, não sei, não quero ter esse trabalho (de explicar) de novo. (risos)”
Quando vocês estiveram em turnê na última vez, quando começaram a do American Idiot, imagino que a banda fez uns shows no Texas e as pessoas diziam: 'Não estou muito certo se gosto disso'. Você sentiu que o humor mudou?
Tré: “Vocês estão no show errado, pessoal.” (risos)
Billie: “O Green Day está mais para Green Gay.” (risos)
Vocês sentiram a recepção mudar ao longo do tempo?
Billie: “Nós começamos a turnê de American Idiot no Texas. O lugar não estava tão cheio como estaria em ouros lugares do país. Mas quando voltamos, começava a encher cada vez mais, o que é legal. Mas se as pessoas não prestarem atenção às letras do CD, será um problema. Acho que as pessoas entraram na energia do disco ou algo assim, então todo mundo foi jóia.”
Tré: “Acho que quando entramos em turnê, o pessoal sabe que estamos ali para nos divertir, fazer um grande show de punk rock. Você pode pensar nas letras das músicas ou não pensar em coisa nenhuma que não desperdiçará seu tempo. É uma escolha sua.”
Houve algum caso para se inspirar? Eu sei que havia um monte de discos pelo estúdio, coisas que vocês ouviam...
Billie: “Você está falando de influências?”
Tré: “No nosso estúdio de ensaio sempre tem alguma coisa rolando. Está sempre ali na parede o que está tocando. Acho que é um jeito de ser bem inspirador. Você anda o dia todo pelo lugar, aí senta e diz: 'O que está tocando?' 'É Django Reinhardt.' 'É, isso é bem... esquisito.' (risos)”
Billie: “Rola desde British Invasion... Rick James... Billie Ocean... Não, esse não.”
American Eulogy é dividida em duas partes, não é? Por que decidiram fazer uma grande canção em vez de duas menores?
Billie: “Acho que as canções seguem a tradição da música do Green Day ou algo assim. Acho que Mass Hysteria foi a primeira canção que escrevemos para o álbum e Modern World foi algo que escrevemos depois. Essa é a parte que leva mais tempo, a que começamos a conectar e trazer arranjos mais ambiciosos. Então foi isso, pegamos as duas e transformamos em um grande monstro.”
Entrevista: Madden / Divulgação / Warner Music – Tradução: Ricardo Piccinato